O câncer de mama e o aleitamento materno

Muito se fala sobre a importância do aleitamento materno. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugerem que a alimentação do bebê seja exclusivamente o leite materno até os primeiros seis meses de vida. Do sétimo mês até completar dois anos, os órgãos incentivam que a continuação da amamentação junto a outros alimentos possíveis nesta fase.

Entre os benefícios dessas práticas estão o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê, o fortalecimento da imunidade do recém-nascido e o melhor funcionamento do intestino, já que o leite materno contém substâncias conhecidas pelo organismo da criança.

Amamentação e o câncer de mama

Neste Outubro Rosa, para promover a conscientização e a prevenção do câncer de mama, a gente traz algumas dicas para você.

Quem nos ajuda a entender a ligação entre o diagnóstico do câncer de mama e a produção do leite materno é o médico Gustavo Zucca Matthes, especialista em Mastologia com ênfase em reconstrução mamária, pós-doutorado pelo Departamento de Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia da Unesp - Universidade Estadual Paulista. Gustavo é coordenador e médico titular do Departamento de Mastologia e Reconstrução e também coordenador do Centro de Treinamento em Cirurgia Oncoplástica do Hospital de Câncer de Barretos (SP).

Amamentação previne câncer de mama?

A primeira coisa a saber é que a amamentação não previne câncer de mama, mas é considerada um fator protetor. “Com a gestação e a amamentação, a glândula mamária torna-se madura e suas células ficam mais estáveis e menos suscetíveis a mudanças genéticas que poderiam causar o início de um câncer”, explica o médico.

Se as mulheres grávidas descobrirem a doença

Quando a mulher engravida, as mamas ficam alteradas, devido às influências dos hormônios da gestação. “Por isso, detectar nódulos nos seios fica mais difícil, o que pode retardar um eventual diagnóstico. Em outras palavras, a gravidez não causa nódulos ou câncer, mas as alterações do tecido mamário durante a gravidez podem dificultar a descoberta e, então, atrapalhar o diagnóstico inicial e impactar o tratamento”, diz o mastologista.

É possível amamentar durante o tratamento do câncer?

Em teoria, sim! Mas veja só uma explicação mais aprofundada do especialista. “O acompanhamento de um profissional é essencial. Muitas vezes a mulher tem que ser desestimulada a amamentar porque há grande chance de precisar de tratamento quimioterápico e, neste caso, os medicamentos podem passar pelo leite e poderiam prejudicar o recém-nascido. Caso a paciente já tenha sido devidamente tratada e fique grávida precocemente, logo após o término de seu tratamento, poderia amamentar normalmente sem prejuízos”.

É possível engravidar depois de ter câncer de mama?

Sim! “Mas o ideal seria que a paciente com câncer de mama em idade fértil aguarde de 2 a 5 anos depois do tratamento para pensar em engravidar. A gestação permite estímulos hormonais que podem interferir nas células mamárias e favorecer o retorno precoce da doença. É fundamental que estes casos sejam acompanhados de perto por um mastologista em conjunto com seu obstetra”, recomenda Matthes.

Quem teve que retirar as mamas também amamenta?

“A amamentação talvez seja um dos momentos mais especais da relação entre mãe e filho. Se a mulher precisou ter suas mamas retiradas (mastectomia) devido ao câncer de mama bilateral (nas duas mamas), ela poderá suprir esta relação com meios artificias como uso de mamadeiras e usos de leite natural (doado em bancos de leite) ou artificial (sob recomendação pediátrica). O mais importante é manter sempre o contato visual com seu filho e tê-lo aninhado em seu peito para que sinta sua respiração e batimentos cardíacas. Procure ambientes confortáveis e aconchegantes para que ambos aproveitem ao máximo. Nenhuma doença pode interferir nos benefícios deste experiência maravilhosa!”.

Viram a recomendação do especialista, mamães, gestantes e tentantes? Nada de desanimar nessa hora. Amamentar vai muito além do ato de simplesmente dar o leite para o bebê tomar. É uma relação de amor e carinho que se forma. Ao longo da vida da criança, serão inúmeras as vezes em que o leite estará presente em situações em que afeto e dedicação são ingredientes fundamentais para uma boa receita.

E qual a melhor opção de leite para os bebês?

No caso de não poder oferecer o leite materno, alternativas possíveis são as fórmulas, existentes em diferentes composições no mercado. Em geral, elas trazem os nutrientes fundamentais para o recém-nascido, favorecendo seu desenvolvimento, mas não é possível generalizar. A orientação pediátrica é fundamental na escolha do melhor leite a ser usado.

Fonte: Leite é bom com tudo.



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